Pobres coitados assassinam a fome,
Com caldinhos de letras que o livro não come,
Versos malucos de muletas são aperitivos de sal,
Insípida causa de sede sem chegar a menu principal,
Sabor estagnado no amparo de maluqueira insone,
Pena das papilas desgostadas, causa de pena igual!
Há ratos insanos violando ratas de biblioteca,
Escrevendo a mendicância dos fantasmas com sorriso,
Abandonados no purgatório do cinzento desprezo indeciso,
Etéreo alimento sofista do térmite que descaros defeca;
Surge, então, uma cupineira esvoaçante que pelo rato peca,
Denunciando o triste buraco do pobre térmite impreciso!
Imagina meu olhar de resplandecentes brilhos,
Em serpente hipnótica fitando teus adorados filhos,
E tu uma boa mãe prenhe de indefesa humildade,
Testemunhando nos filhos teus a orfandade!
Acudindo tuas preces de inocência infantil,
Teu cavaleiro de ouro recita meigas linhas de lira,
Desvanecendo-se nos céus do Primeiro de Abril,
Primeira verdade perdida num frio engano subtil,
Ilusão defendida na Alma do Livro que te inspira,
Escrevendo livros meus em livros de tua mentira,
Imprudente cultura da página à história servil!
Um tampo de mesa feito de fino pergaminho,
Sagrado campo de pão onde se serve derradeira Ceia,
Fome da Ciência dos homens que a falta de crença receia,
Hoje, transgénico da comunhão em alarve vício mesquinho,
Resiste o Cereal de sagrada Vida regado com sangue em vinho,
Trevas vencidas pela sabedoria iluminada de uma Sagrada candeia!
Imagina por momentos,
Que Jesus crucificado num dos teus livros exorcizados,
Se erguerá na Luz da terceira página dos livros assinalados,
Ressuscitando valores desprezados nos santos sacramentos,
De tua abençoada fé perdida na revolta de teus fingimentos,
Oferecendo a redenção para todos os teus pecados!...
Escreve em teu livro que na Vida se inspira,
Que a morte de Cristo neste engano de Abril,
É ressurreição da Vida que julgavas ser mentira!
