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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sidéreos Olhares distantes



Pesado sob esperanças de tua memória apagada,
Caminhas absorto entre alheias memórias de nostalgia,

Levitas sereno no efeito monótono de uma rima forçada,
Adivinhando redundantes palavras de copiada monotonia,
Sendo tu, ponte atravessada sem fim de reiniciada melancolia,

Sobre teu sangue o qual corre inseparável da tristeza causada,
Pelo defeito distante de um rasgado sorriso à doce gargalhada,

Saboreias o primeiro momento petiz de teu desmemorizado dia,
Tão igual sabor amargo do adeus à tua infantil despedida adiada,
Tua primeira esperança em adoçado som de estranha harmonia!


Desenhas jardins celestes entre arco-íris de colorida felicidade,
Semeias colheitas de meigas flores crescendo no teu largo sorriso,
Convidando tristezas sem fim ás oferecidas tentações do paraíso,
Dócil flor forte de macieira adivinha de irrecusável docilidade,
Tão capaz de pintar frutos de esperança com cores de eternidade,
Na fantasia sidérea onde teu olhar ingénuo brilha de perdido siso,
Traduzindo surreal quadro admirável de improvável cumplicidade,
Sobre um insolente esboço casual de misterioso traço impreciso!

O frio solitário que aqueceu tua derradeira noite escondida,
Foi veste volúvel feita à grandeza ardente de tua alma despida,
Que por breves momentos de teu velho desejo ficou ausente,
Deslizando escondido sobre o gelo azul de um frio diferente,
Passiva solidão reversível onde tua vontade jaz adormecida,
Reverso derretido descongelando teu sentir premente!

Brilham agora tuas lágrimas, fora do tempo, amantes,
Como que sempre esperasse um impossível sinal fulgente,
O mesmo sinal que se esvai nas vias de possibilidades distantes!
*