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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mistérios da Vida Oculta


Procuro teu abandono esotérico ocultado,
Caminhando sobre pétalas de rosas desfeitas,
Pegadas inebriantes que tu enjeitas,
Sobre estigma nas mãos marcado,
Que tu lês em livro manchado,
Dicionário fútil de linhas direitas,
Bíblia Sagrada de palavras desfeitas,
Amor traduzido de triste significado!

Rios de vida que pelas tuas mãos escorrem,
Vida nas linhas que o destino gravou,
As mesmas linhas que a vida consagrou,
Rumos de certezas escritas da desordem,
Incertezas de dentes ímpios que mordem,
Mordendo a mão de mãos que alimentou!

Folhas de chá flutuando em ti,
Chávena de ópio do teu ser que és,
Flutuas de ti por ventos e marés,
Fundes-te na nuvem pintada que sorri,
Nuvem imaginada da imagem de si,
Qual céu escravo sob teus pés!

Setenta e oito virgens adivinhas:
Sortes desejadas se assim o quiseres,
Mil homens desejados a desejar mil mulheres;
Quatro bordéis com quatorze tentações miudinhas,
Dez infelizes marcadas por mentes mesquinhas,
Sobrando mais quatro figuras às quais aderes,
Vinte e uma putas prontas para baralhar,
Um palhaço que te fará rir ou chorar,
Respeito do respeito que tu impuseres!

Ouro lunar de ofuscado brilho,
Oferta imposta medrosa e grata,
Comprada no ritual da felicidade ilusória,
Retrocesso à inocência infantil do sarilho,
Ao ajoelhar no perdão do Cristo de prata,
O adeus à esperança de conquista inglória!

Encontrei tua paz num jardim abandonado,
Sobre pétalas de rosas intactas e renascidas,
Sorri pelo teu largo sorriso conciliado,
Com as alegres tristezas de todas as vidas!

Esse dicionário útil que da vida germina,
É livro da vida que a ilusão não ensina!