Anjo negro, juiz novo,Ergue-se lento, rasga o ovo,
Escolhe, e do álem me chama,
Acusa-me de ser estorvo,
Culpa-me de ídolo sem fama!
Anjo negro, juiz novo,
Ergue-se lento, cospe fogo,
Aponta a sorte, o punho cerra,
E vagueia frio sem razão,
Pesado sem tocar o chão,
Por entre as verrugas da terra;
Não rasteja, não voa,
Não reza, não perdoa!
-Porquê?, pensas tu com medo,
Sem veres que já não vês o mundo,
E ele diz: -Sou rei jesus II,
E será este teu último segredo!
Botas negras, duras, brilhantes,
Sandálias de couro gastas, esquecidas,
Brilho de ódios-estrela, diamantes,
Novos milagres, voluntários suicidas;
Qual Peixe?
Qual Pão?
Milagres?!...
Não belos monstros covardes!
Porquê, pensas tu com medo,
Sem veres que já não vês o mundo,
E ele diz: -Sou rei jesus II,
E será este teu último segredo!
Chuva que não molha,
Chuva que queima, miudinha,
Cevada que pinga, fumo que te olha,
Chagas profundas cobertas de morfina;
Milagres?
Pão?
Rosas?!...
Vampiros alados!
Adeus mariposas,
Adeus pelicanos, adeus pombas,
Adeus cravos, trevos, mimosas,
Saboreiem este cocktail de bombas!
Milagres, milagres novos,
Chocam outros ovos,
Aninhados bem lá no fundo,
E ele diz: -Sou rei jesus II.
Fraco encosta-se a ti,
Abre os olhos ao negro céu,
Olha-te nos olhos e sorri,
Baixa a cabeça, escorre-lhe o véu!
Abraças aquele alívio profundo,
E dizes: -És rei jesus II.