segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Máscara


Sumptuosa árvore, poderosas raízes,
Sustentando a sombra que o povo agradece,
Gigante imponente de silenciosa dialéctica,
Beneplácito crente de atitude patética,
Sem as benesses das horas felizes,
Horas insensatas de que o povo padece;
O povo público
… a pobreza!
Sempre à volta do pau, gravando mensagens,

Talhando a eito,
Atalhos,
Com firmeza,
Sem derrapagens,
Aposta do peito que fortalece,
O Poder fraco da palavra,
Fraqueza
imponente das imagens!...
Atalhos…
Talhados no rosto, gravados na vergonha,
Risos e sorrisos fechados,
amarelados,
De todas as cores
E favores,
Abertos, sempre, a mais um baptismo,
A mais uma cegonha,
Desacreditados por
esses abutres,

Donos da verdade;
Espertos,
Despertos,
Adormecidos,
Possuídos,
Sempre à volta do pau,
Nada mau!

Moldando mais uma máscara conveniente,
À ocasião sempre presente,

De adivinhar uma simpática verdade,
Num qualquer
incapaz,
Vestido de insuspeita bondade
!...

Horas insensatas de que o povo padece,
O povo público…
Que todo o castigo merece!

Um prémio, mais uma benesse,
O melhor lugar no espectáculo lúdico,
E, quem sabe, uma máscara ainda melhor,
Mais um favor, nada pior,
Chegar onde nunca chegou,

Nem nunca o sonho ousou chegar!...
É uma nova máscara a talhar,
Bem trabalhada na ideia,
Concebida à catanada,
Ajustada a pontapé,


Nos ventos de quem semeia,
Campos de marretada!

Atalhos bem talhados?!...
Entre o talho e o atalho,
Há qualquer coisa que cheira mal,
Um traque e coisa e tal,
E lá cai a coisa revelando a “cara”;

É que entre a latrina do passado,
E a sanita interactiva do futuro,
Vagueia muito mijo disfarçado,
De cagalhão bem duro,

Mas não é de todo seguro,
Porque com tanta porcaria misturado,

Ficou-lhe o cheiro alterado,
Não passando despercebido,

Passando por ser o que não é,
Sendo confundido até,
Com aquilo que havia sido!...
Mas mesmo isso foi derretido,

À temperatura do sol quente,
E enquanto se vai evaporando,
Impõe-se uma questão pertinente:

-Que seria aquele mijo,
Se em vez de mijo fosse gente?!...


Arbusto sem raízes seguras,
Ao sol de sombra despido,
Apeadeiro de território canino marcado,
Denuncia um cheiro infectado,
Naquele rosto abandonado,

Talhado a coices de cavalgadura!
Máscara caída que ninguém viu,
Talhada da árvore sumptuosa que caiu!

Ainda assim, nisto de árvores caídas,
É preciso tomar caldinhos de cautela,
Pois há sempre calculadas investidas,
Daquele que
talhou uma gamela;
Fitou-a, fez-se a ela,
Cismou fazer dela,
A máscara mais bela!...
Pois!...


Tirou-lhe as medidas,
Deitou-se nela,
E nela tomou
o gosto,
De nela comer!...

Pois!...

Mas, por que não ser a gamela,
Em vez de ser apenas quem come nela?

Todos viriam fazer-se a ela,
As vénias já seriam um bom alimento,
Satisfação
a cem por cento,
Flores e cheques na lapela!...
Pois!
Mãos à obra e toca a serrar,

Esculpir,
Talhar,
Suas medidas há que ajustar,
Medidas incertas, não há como errar!...

Pois!...

A coisa ficou pronta,
E do que parecia uma ideia tonta,
Pior coisa não podia sair;
Com as folhas a cair,
A madeira arreganhava,
Fustigada pelo sol quente
,
Enquanto o fogo se aproximava,
Impunha-se uma questão pertinente:

-Que seria aquela gamela,
Se em vez de gamela fosse gente?!...


Máscaras caídas que ninguém viu,
Talhadas da árvore que nunca existiu!

11 comentários:

Helena Paixão disse...

"O Poder fraco da palavra,
Fraqueza imponente das imagens!..." - totalmente o oposto do que se pode apreciar neste blogue carregado de criatividade e interventivo qb.

Bjs

pin gente disse...

que fôlego... restam tantas máscaras, até mal talhadas, para esconderem gentes indesejadas.


abraço

Sininho disse...

Querido!
Não fosse a pressa consomar-me o tempo, levaria mais tempo a ler suas palavras! e a deixar-lhe algumas de igual valor! porque tudo o que você disse fez sentido, mas nada do que eu possa dizer neste momento tem grande valor!

De qualquer das formas, tomo nota atenciosamente do seu e-mail e assim que possivel, mando lhe uma cartinha electronica para comunicarmos =D

Lamego = berço da minha família paterna =D
Mais pormenores na minha cartinha electronica, fica o suspense =P

Beijo eterno*

PreDatado disse...

Obrigado pela visita ao meu blog.

Pois!
E deixou-me com os olhos tortos
de tanta corzinha usada
em palavra bem talhada
mesmo à volta de paus mortos!
Pois!
E se a gamela fosse gente
ficaria alguém contente?
Pois!
Volte sempre que quiser
um blog ao seu dispor
que eu voltarei a depôr
Se outro verso fizer!
Pois!

Fragmentos Intemporais disse...

Boa noite, não consigo dormir!
Levantei-me
Vim ao blogue
Li o seu comentário
E
Apenas lhe digo
Queria tanto um ouvido
Que no silêncio da noite
Os meus ais soubesse compreender...

blogcronicasdateresa disse...

Obrigada pela sua "passagem" pelo meu Blog. Espero que continue e que diga de sua justiça...
Passei pelo seu mas a correr. Quero vê-lo com calma, sem stress e, já agora permita-me uma sugestão: que tal revêr as cores/tamanho da letra? Uma leitura que exija um grande esforço perde parte da sua fluidez, do seu encanto.
Abraço

Carla disse...

tantas máscaras em tantas cores escondidas...será que algum dia acabarão?
beijos

ลndreia disse...

Palavras escritas no arco-íris. *

FERNANDA-ASTROFLAX disse...

QUERIDO AMIGO, ADOREI TER QUE LER QUASE SEM RESPIRAR... SUBLIME!!!
UM ABRAÇO DE CARINHO,
FERNANDINHA

FERNANDA-ASTROFLAX disse...

QUERIDO AMIGO, GOSTEI DO QUE LI...
SUBLIME CREATIVIDADE!!!
UM ABRAÇO DE CARINHO,
FERNANDINHA

FERNANDA-ASTROFLAX disse...

QUERIDO AMIGO, QUE BOM LER-TE... FASCÍNA-ME A FACILIDADES QUE TENS EM JOGAR COM AS PALAVRAS... TUA ADMIRADORA,
FERNANDINHA

P.S. E JÁ ME IA ESQUECENDO QUERES BEIJOS OU ABRAÇOS, POR VIA DAS DÚVIDAS DEIXO-TE OS DOIS AMIGO...