domingo, 26 de abril de 2009

Jornalista do Caos



Então, cego e surdo, também julgas!...
De imperador cínico é esse teu ar,
Esbugalhas os ohos para melhor ver,
Esgravatas os tímpanos para melhor ouvir,
Saltas de contente pelo falso pesadelo,
Arreganhas tua grande boca vergonhosa,

Por saberes a mentira que aí vem!...


Procuras em vão desespero socorrê-lo,
Nada valendo esse teu despertado sentir,
Porque honesto, honesto como devias ser,
Serias se não mentisses ao julgar,

Vendo um cão e descrevendo dez pulgas!
Vejo-te agora e rio-me com desdém;
Contorces-te em perícia falaciosa,

Da mentira do Império à verdade da sarjeta,
É artigo pardo sobre o qual não te atreves,
Consagração para sempre fechada na gaveta,
Glória criminosa de momentos breves,
Tinta falsa de corrupta caneta!
Então, cego e surdo, também julgas,
Vendo um cão e descrevendo dez pulgas!

Pouco mais de trampa é o que escreves,

quinta-feira, 23 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pecado em Círculo Fechado

Masturbava o cérebro,
Ejaculava neurónios,
E desfalecia logo a seguir com um ar acéfalo,
Possuído por demónios,
Por momentos!...
Depois recuperava,
Abraçava a luxúria de seus pensamentos,
E voltava às contas de cabeça,
Procurando respostas virgens,
Mas nada!
Repetiam-se no pecado carnal das luas;
Respostas de vai-vem,
Sempre nuas,
Beleza em rosto de ninguém,
Despidas de qualquer interesse,
Muito batidas!
Um dia, num dos seus desfalecimentos,
Recuperando da perda de consciência sentida,
Enquanto perdia o sentido da consciência perdida,
Sentiu um aperto autoritário bem no cu das meninges,
E voltou a vir-se abaixo nas ideias.
Enquanto o cego não se veio das candeias,
Sonhou com masturbações intelectuais,
Cheias de luz,
E respostas inteligentes nunca antes defloradas,
Com significados múltiplos de lascivos rituais!...
Encontraria a tal resposta,
Iluminada fonte dos secretos prazeres?!...
Dessa vez, na vontade de recuperar o último neurónio,
Já nos braços de Morfeu, o demónio,
Esforçando-se por continuar no cu dos sentidos;
Continuou a sonhar com respostas,
Respostas cada vez mais inteligentes,
Respostas cada vez mais filosóficas,
Sensuais e concupiscentes,
Pecados de envolvências católicas,
Respostas cada vez mais poderosas!
Depois de tantas tentadoras respostas,
Sonhou que todas elas masturbavam o cérebro,
Ejaculavam os neurónios,
E desfaleciam de seguida com ar acéfalo,
Possuídas por demónios,
Por momentos!...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mother

video
"Mother" do filme "The Wall" -Pink Floyd

domingo, 5 de abril de 2009

Cristal de Abutre Amigo

Fui pérola azul de cristal protegida,
Em regaço de cristal concha de Amor,
Fui mimada em placenta cristal de vida,
Filha cristal de parto sem dor,
Tesouro terno, desmedido cristal valor,
Aval branco de cristal esperança desmedida,
Palavra de cristal em livro branco lida,
Sete pétalas de cristal soletradas numa flor!

Sou agora filha de dor sem parto,
Amante vertigem de acolhedor abismo,
Espiral hipnótica em vazio farto,
Fora de mim da despedida que parto,

Partindo de ti, cicatriz de meu egoísmo,
Fecundo teu mundo de meu doentio cinismo,
Sendo que não sou da quebra que parto!


Quisera eu ser também cristal adorada,
Esquecendo que do útero era eu útero também,
Experimentei o ciume pela vida idolatrada,
Que dentro de mim por ti fora mimada,
E do Amor de cristal à utilidade de mãe,
Foi um curto passo em oferta de desdém,
Oferecida a mim por mim desdenhada,
Passando a ser mulher que por aí passa,
Como quem passa que não passa por ninguém,
Calvário que meu olhar de cristall não disfarça,
Brilhando faíscas de cristal na vontade quebrada,
Puzzle de estilhaços em prévio futuro de desgraça!

Voou rasteiro meu Krystal sem suas plumas aladas,
Aprisionando minhas asas que não me deixam voar,
Sou tomada por tão iguais aves negras violadas,
Agoiros que agoiram coração de almas fracas magoadas,
Mantendo ferida aberta pelo prazer de magoar,
Paixão masoquista de negro sádico Amar!

Esta fopa que da cinzas voou,
É ínsula ausente que de mim se apartou,
Extinguido fogo deste frio que não sinto,
Tristeza sem fim da memória que se eivou,
Despeito meu de insulso absinto,
Verdade ancestral que em silêncio desminto,
Mentindo que não minto sobre o vazio que ficou!

Insular de mim, poleiro de teu corvo,
Circunvalação agoirenta de milhafres acolhedores,
Amigas Insulares onde ser feliz é estorvo,
Reconquista proibida dos abutres solitários,
Vendendo sofismas de falsos favores,
Oferecem a comiseração dos divórcios solidários,
Pintando arco-íris com fumos de negras cores!

Mas à Vida que tudo oferece,
É oferecida a ingratidão por quem a Vida não merece!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mimosa


Estou na verdura nu,
Faço amor com ela,
Toco-me!...
Sinto a sensível frescura chegar,
Agita-se delicada a mimosa,
Em verde-amarela voz, diz:
-Feliz?
Venho-me daquela amante,
Caminho sobre ela,
A mimosa atrevida e radiante,
De mim se despede,
A doce e verde voz amarela!