domingo, 29 de agosto de 2010

(Sopinha de Cebola Solidária) Princípios de Krystal em Fins de Agosto



Mais do que serem meus Poemas também,
São os Poemas revelações de verdades krystalinas,
Envoltas, algumas, na conveniência de densas neblinas,
Que escondem biografias inconvenientes de alguém,
Tão capazes da personagem que mostra, ficar aquém,
Achando que mais vale ser ilusão atrás de cortinas,
A mostrar-se nada do muito que é ser ninguém!

É asfixiante a hipocrisia de Agosto,
Daqueles que são doze Agostos num ano,
Filhos de igual mês e de outro mês germano,
Puros descendentes de si mesmos e seu oposto,
Pais de quem não são e iguais Mães sem rosto,
Assexuados hermafroditas de calor ufano,
Escrito na infernal frigidez do desgosto!

Passou mais um mês de krystal,
Agosto como só ele sabe ser,
Sendo o Agosto imparcial,
De um espaço universal,
Onde a luz do anoitecer,
Começou um claro tecer,
De uma fímbria bestial,
Em bestas de fraco suster,
Tão erróneos em seu limite natural,
Tenazmente apegados a um ridículo pascer,
Só ao alcance dos néscios com predestino original,
Apoiado por iguais meios que igualam um parvo literal,
E assim se constrói um nada de nada no desconjugar do verbo encher!

Estando com desejos de uma sopinha,
Mas não uma qualquer,
Carla, minha Esposa e Mulher,
Sabendo de meu gosto pelo hipócrita mesquinho,
Comoveu minha vontade pedindo com todo o carinho:
-Amor, faz uma sopinha de cebola para esta que tanto te quer?
Pensando nos coitadinhos da vida chorei como um rapazinho,
Lágrimas de cebola, é certo, que eu guardei para dar a quem vier,
Mas venham só os ricos porque, para dar, eu tenho poucochinho,
Restaram as lágrimas da cebola que com a sopa chorei sozinho,
Guardando, para quem não precisar, delas, o sal numa colher!

São estas vossas lágrimas sem causa,
Que alimentais com vossa hipócrita solidariedade,
Secando no útero de vossa menopausa,
E do tesão genital que se foi sem piedade,
Restando o sal das lágrimas de vossa falsidade!

Com a marca de Krystal estampada no rosto,
Estamparam-se mais alguns hipócritas neste mês de Agosto!




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Meus Crocodilos de Vossas Lágrimas










E no fim vieram egos de si inchados,
Sobre os ombros descaídos de vaidade carregados,
Descobrindo o raso relevo que em suas vidas fizeram,
Silêncios nas repisadas palavras de monstros sagrados,
Escondendo, atrás das palavras que delas nada souberam,
O roubo dos significados que novos sentidos eles lhes deram,
Cobrindo asinhas glórias com penas de pavões envergonhados!

E no fim vieram os cagões inchados de glória,
Carregando brilhantes atavios fétidos das vulvárias,
Que combinavam o cheiro fresco de diarreias literárias,
Com a putrefacção entulhada na lucidez sem memória,
 Comungada na prostituição adulterada da história,
Dada à estampa em solenes teosofias sectárias!

Soltam-se-me os crocodilos que me acolhem,
Ao chorar as lágrimas de vossas mentes tolhidas,
Precipitam-se, falsas, em quedas de verdades colhidas,
Comovendo vossas mentiras que vossas verdades tolhem!

E no fim vieram fundamentalistas,
Cheios de hipocrisia em seu umbigo,
Bálsamo cicatrizante de retóricas sofistas,
Que mantêm umbilicais ligações antagonistas,
Com complexos de inferioridade que trazem consigo,
Elegendo a lucidez dos justos como seu ideal inimigo,
Por sôfregas razões cegas guiadas por cegos idealistas
Apoiados pela tão igual cegueira de multíplices egoístas,
Os mesmos que só nos outros seus defeitos são o perigo,
Não vendo em sua pobre estupidez influências ilusionistas,
Dos que berços destroem para garantir imperiais abrigos!

E no fim vieram milagres por concretizar,
Cheios de vazia esperança para os que nada hão-de ter,
Sendo sexo exposto para aqueles que sempre os hão-de foder,
E se algum dia procurarem alguém para o crime testemunhar,
Volta o sangue azul real dessa gentinha que vai identificar,
As vítimas do abuso por culpados de uma condição a temer,
Ferindo os olhos da nobreza que a hipocrisia sabe interpretar,
Nesse palco onde a alta sociedade põe a pobreza de um País a arder,
Para assar em lume brando a carne dos pobres que sempre irão comer!

Soltam-se-me os crocodilos que me acolhem,
Ao chorar as lágrimas de vossas mentes tolhidas,
Precipitam-se, falsas, em quedas de verdades colhidas,

Comovendo vossas mentiras que vossas verdades tolhem!



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Heteronomia Administrada (parte II)




Porque são dias que estreitam o Agosto sufocante,
Quero administrar uma fresca heteronomia sibilante,
Na mioleira envelhecida de alguns pobres coitados,
Que pelo Sol abrasador de sua juventude são afectados,
Queimando as unhas que se desunham em tentativas constantes,
De salvar-se no desespero delirante de sobejos memorandos versados,
Com desordenados versos pobres que por palhaços foram saqueados,
Erguendo um circo triste com palavras de palhaçadas flagrantes,
Dignas de toda a comiseração dos alter-egos sulcados,
Na solidão que a pena tem dos indefectíveis farsantes,
Gastos pelo tempo das vogais sem consoantes,
Desenterrando incisivos risos fechados,
Com lágrimas de homenzinhos tombados,
Entre caixões dos poemas restantes!

É vê-los por aí contaminando a poesia,
Com lastimosos poemas meio certos,
Baralhados em versos descobertos,
Na demência da pobre fantasia,
Que constrói a falsa harmonia,
Dos áridos temas desertos!

Há um canastrão aplaudido por canastrões,
Ouvem-se “bravos”, “bis” e outros masoquismos exultantes,
Que saem como palavras apressadas da hipocrisia dos aldrabões,
Já habituados a engolir tão iguais hipócritas expressões,
Do vómito engolido por distorções pedantes,
Passivas em seus prestados serviços arrogantes,
Pelos préstimos recebidos sem discussões,
Na irmandade dos habilidosos diletantes,
Que protegem profissionalismos vacilantes,
Da verdade krystalina preechida de lúcidas razões,
Tão perto dos palcos de ingénuas exibições distantes,
Onde os mariolas gentis escolhem o público de suas ilusões,
Ignorando que nem os parvos nascem com iguais aptidões!

Dêem uma esmola,
Para esses pobres coitados,
Que pela hipocrisia foram apanhados,
E ajudem a libertá-los da gaiola,
Onde está preso um farsola,
Com outros iguais e seus derivados!

***

Pois é…
Publicado por um heterónimo de Krystal,
Um coração puro de heteronomia celestial,
…hehehehehehe…
Não me perguntem se é um amigo meu,
Pois só sei que não sei qual deles sou eu!


***

Manda Deus que o Destino assim seja,
Daqueles que até do seu umbigo têm inveja!




terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vida, Essa Puta



Era uma farsa coberta de adágios,
Vestindo uma sedutora nudez descarada,
Disfarçada no limite persuadido dos contágios,
 Que salgava a carne na cruz de pervertidos sufrágios,
Legitimando a sede aos utentes de putas sufragadas,
Em votos possuídos de cúmplices traições aprovadas,
Nos rumores impotentes de encornados plágios!

As cabras pastavam na psicologia dos presságios,
E moldavam as tetas com o cio social de falso putedo,
Ensinado pela puta da necessidade em gratuitos estágios,
A seduzir alienados bodes envelhecidos em lautos naufrágios,
Outrora nautas reais que navegavam na juventude do folguedo,
Em águas azuis do deus-dará que as putas guardavam em segredo,
Escondendo filhos sem pai, afogados em deserdados apanágios!

Oferecia-se vestida de fascínio a todos quantos a queriam,
Abria seu peito nu aos beijos em suas mamas fartas, a astuta,
Propunha fazer valer cada momento aos que não lhe resistiam,
Induzindo-lhes vestes nuas aos seus ávidos olhos que a despiam,
Enquanto vestia os olhos dela com a periferia da certeza absoluta,
Daqueles olhos vivos dedicados ao cuidado de uma vida arguta,
Vivaços olhares que aquela vida amava nos vivos que a fodiam,
Os mesmos que davam sua vida pelo Amor à Vida, essa puta!

Os oceanos são agora parte de um desespero mais extenso,
Há necessidades obrigatórias que se escondem no rosto,
De uma vergonha descarada que navega no desgosto,
De ser obrigada a afogar seu orgulho imenso,
Pela necessidade de salvar um futuro suspenso,
Ao qual foi o perdido bom senso da vida imposto!


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Orgasmos Fingidos





Deitada na cama,
Sob lençóis brancos de linho,
Recebe um homem que a ama,
Abrindo as pernas à falta de carinho,
De coração resignado a mais um espinho,
E abre os olhos à lágrima que não engana!

Vinha-se em ais dos orgasmos sonoros que fingia,
Naquelas frias madrugadas casuais do tesão do mijo,
Aproveitados momentos tristes de um oportuno pau rijo,
Do carinhoso marido que a ele mesmo há muito tempo mentia,
A meio da função murchava a verdade dentro da mulher que sofria,
Sobrando o Amor que oferecia lágrimas fingidas de grato regozijo!

Esmagada pelo peso doméstico do drama,
Sente em seu corpo inquieto a necessidade de sentir alguém,
E ainda que não mostre sua necessidade de sentir-se também,
Teme compreender os desejos que o seu corpo proclama;
Na ausência dos orgasmos interrompidos com desdém,
Ajoelha-se ardendo de tesão aos pés de ninguém,
Suplicando o perdão pelo pecado que a reclama!

Não sabia amaldiçoar o Amor prometido,
Jurara respeito sem desvios infiéis na sua ventura,
Mas tanto respeito dedicado e tão sufocante ternura,
No leito era um cativeiro de doloroso prazer oprimido,
A um coito frio, sem qualquer prazer feliz, resumido,
Transformando a cama numa mesa de tortura!

E o vento que sopra seus segredos,
Envolvendo ais de sonhos misteriosos,
Fala de genuínos orgasmos prodigiosos,
De uma virgem aliviada de seus medos!

Penetrada pelo vigoroso tesão da vida,
Centrado no órgão selvagem que a possuía,
Revolveu-se dentro de si uma força incontida,
Liderada por um anjo que entre demónios ardia,
Enlouquecendo de gozo o pudor que se subvertia,
Salivando lágrimas de arrastada virgem arrependida,
Domesticada na contenção de uma educação perdida,
Em desejo escondido entre as pernas que o fogo lambia,
Atiçando orgasmos infernais de uma mulher agradecida!


Há muitos orgasmos fingidos entre lençóis,
Há abundantes ejaculações de olhos que choram,
Há tesão em cantos presunçosos de pobres rouxinóis!


sábado, 7 de agosto de 2010

Fosfenos Poéticos



Dizia-se um Poema,
Gravado na luz de um fosfeno,
Vendia-se como sendo inofensivo veneno,
E morria envenenada entre comentários de pena,
Para ressuscitar na métrica de uma estrofe serena,
Qual Fénix renascida de um inflamado verso obsceno!

Achava-se uma Luz singular,
Que as pálpebras os halos protegiam,
Dos olhos que fosfenos alheios não viam,
E dedicava-lhes estimados poemas de pesar,
Preterindo os Amores que não soube bafejar,
Por fiéis tercetos que triângulos descreviam!

Congratulava-se por achar-se vértice privilegiado,
Perdida na superfície de seu triângulo fechado,
Oclusão sólida de um incondicional prisma perfeito,
Feito com emendas cegas de um Poema iluminado,
Que beijava novos fosfenos de poético efeito,
Sobre sonetos desgarrados de nulo proveito!

Elegeu uma folha em branco,
Sua fiel depositária de coisa nenhuma,
Na qual se arrastava num sedutor verso manco,
Esmagado pelo reverso de seu lado mais franco,
Que mentia à traição nos lados opostos da bruma,
Escrevendo equiláteros em fosfenos de escuma!

Já não sentia na carne mastigada,
O discorrer da tinta permanente,
Nem seu papel era folha destacada,
No livro de sua vida envergonhada,
Caligrafado em claro tom consciente,
De uma cor que não sabia aparente,
Na ingénua confiança do seu passado,
Perseguidor tenaz sempre presente,
Em cada verso de um falso versado,
Sedutor ardiloso de fácil corrente!

Andam por aí na rede prostituída,
Palavras que se travestem de todos os sonhos
Oferecendo Amor, fortuna e a sorte perdida
Às páginas rasgadas de uma vazia poesia vencida,
Pela tristeza virtual pejada de vícios medonhos,
Derramados em lágrimas de fosfenos enfadonhos,
Que se apagam nos olhos abertos da vida!


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Triunfo do Burro


Quando um animal,
Assume seus tiques racionais,
Confunde-se entre seus iguais,
E a igualdade mental,
De uma diferença normal,
Diferente em todos os animais!

Quando um burro,
À margem de uma elite social,
Assumindo um comportamento anormal,
Confrange-se por seu defeito casmurro,
Ao querer ser um fenómeno verbal,
Não conseguindo esconder seu visual,
Condizente com seu íntimo surro,
Entranhado em sua natureza essencial,
Sua falta de vergonha tem cheiro de esturro,
Esquentado pelo amor doentio natural,
De outro burro igual,
Incrustado de esturrado churro,
Que cobre a pele com falta de vergonha ancestral!

Quando um animal,
Que quis sua sombra diferente à minha passagem,
Se contrapôs entre meu foco principal,
E o teor intencional de minha mensagem,
Decidindo defender a fraternidade integral,
Soltou um coice colossal,
Oferecendo-me uma enorme vantagem,
Sobre a enormidade maior de sua abordagem,
Antecipação do asinino comportamento habitual!

Então, quando estava eu prontinho,
Para fotografar o que minha Alma via naquele ser,
Surgiu de entre as orelhas espetadas do animalzinho,
Um afoito sarilho colado à sombra de um homenzinho,
Que lá do alto de seus bicos de pés atreveu a esclarecer,
O imperativo da fotografia à sua autorização obedecer,
Causando no burro um esbugalhar dos castanhos olhinhos,
Que de imediato se soltou num zurrar de perfeito entender!

-Ouça lá, -dirigiu-se-me o homenzinho com ligeireza,
Você pediu autorização para fotografar-me e ao jumento?
Ao que eu respondi no momento:
-Caro amigo, eu não pretendo fotografar sua esperteza,
Mas apenas a inteligência do burro e seu lamento,
Por ter um dono de tão néscia subtileza!

Há criaturas que vendo na burrice alheia,
Um tesouro que devia ser seu,
Fecham os olhos à burrice que os rodeia,
Agradecendo a burrice que os arreia,
E os derreia com o chumbo de pobre sandeu,
Que pela cobiça toda a burrice granjeia!

Zurram os burros verdadeiros,
Dos outros burros espertos,
Que ao julgarem ter os olhos abertos,
carregam os burros sorrateiros!