quarta-feira, 7 de abril de 2010

Algures... virtualmente!




Algures entre um Universo Virtual,
E os descalabros do vosso inconsciente,
São paridas humilhações enerves em ritual,
Fecundados no caos cego de um vazio abismal,
Ansiosos por espalhar veneno de perdida semente,
Na plácida luz extinguida de um sofisma vidente,
Tecendo ramos no plexo sanguíneo do desejo carnal,
Em transfusão muda de um eco deprimente!

Algures entre um Universo Virtual,
E os diversos paraísos que vós desejais,
Apaga-se Alma lúcida na dor do sentimento,
Esperança desalmada nos vícios do tormento,
Por desconhecerdes o vosso misterioso final,
No melhor de vós guardado em mistério igual,
Corações desterrados em vossos medos capitais,
Apostando toda a carne fraca nos desejos carnais,
Num risco de morte indigna por uma réstia vital,
Salva na miserável vida escondida que vós levais,
Como se o tão fingido orgasmo social do momento,
Fosse fatal salvação de vosso traído pensamento,
Traição culpada em inocência de disfarce fatal,
Esquecendo de esconder aquele denunciado sinal,
Sinal esse que na massa da vergonha é fermento,
Fodendo o pão seco de conquistados comensais,
Ávidos de violações sobre purgados corporais,
Porque o prazer é leite de cabra sem moral,
Com borbulhas de cuninlingus menstruais,
Em engates de encontros casuais!

Algures entre o Universo virtual,
E os desejos indecifráveis do vosso corpo,
Açoitado por descontrolados vícios do mal,
Serpenteiam viscosas bifurcações doentias,
Emprenhadas por ignóbeis pregões de porcarias,
Espreitando da álula lânguida do desejo mais porco,
Para substituir gozo soez de um Amor já morto,
Na perdição das mais desesperadas fantasias!

Algures entre o universo virtual,
E a realidade amariçada da covardia,
Esconde-se uma verdade animal que porfia,
Disfarçando um engonço de coragem digital,
Despido daquele movimento de virtude natural,
Que troca pómulos rosados por esquálida alegoria,
Retórica de vagidos em tua maturidade bestial,
Abortado merecimento de desengonçada harmonia,
Caído na troca obscura da noite por tisnado dia,
Perdendo-se o significado no crepúsculo literal,
Do Amor que escureceu numa morte matinal!

Algures entre o universo real,
E a mentira de vossa fingida dor,
Dá-se o aval a um sentimento virtual,
Mais forte que o Amor!

Será esta a realidade procurada no prazer a esmo,
Desvirtuando o Amor no defeito reprimido de si mesmo?!...

3 comentários:

Epee disse...

"Algures... virtualmente!"


Em algum lugar...

DiVerso, em asas, na contagem final ao dia que a Internet comemora 41 anos¹, 'computa' versos em rimas, revestindo palavras em Poema e em dedo em riste, nos aponta um mundo de 'bytes e caracteres' onde algum sentimento, que ainda não se sabe qual, pode nascer, crescer e atravessar espaços jamais imaginados, ou não, porque é 'virtual'.

É DiVerso! e o Poeta, pontuando mundo real com mundo virtual, alterna, entre dois e três versos, cores em tons sóbrios, contrastando da imagem que complementa o título ["...virtualmente"] onde o azul de Krystal ["Algures..."] cortado pela ponte, nos aponta os dois mundos: UniVerso em céu [mundo real], se destacando das imagens sólidas e frias [mundo virtual]. Sugerindo, talvez, o conflito permanente entre o 'real' e o 'virtual'.

DiVersoKrystal, aDverso, em outras palavras, comuns ao seu português de PT, [a]mostra em sexo casual, permissivo ao mundo virtual, conta [não em algarismo] a sialorréia dos desejos da carne, que fraca, agarra-se a qualquer 'cuninlingus' da 'ilusão poética' e do prazer fermentado, resulta em orgasmo líquido, mas contido, onanismo duplo de pura fantasia, realidade ao mundo virtual. Aos sonhos que acreditamos ter enquanto dormimos e ao [a]cor[dar]² descobrimos que não eram sonhos, mas pesadelos. E como já disse em outras vezes, não querendo ser repetitivo, o sendo, 'acordar de pesadelos é privilégio de poucos', "Algures entre o universo virtual,
E a realidade".

É uno e é verso, o uniVerso de DiVerso em 'Virtualidade', emerso em mundo real, porque sendo o Poeta, não dos 'amados e amantes', mas do AMOR e sendo ele todo [a]mor permitido, é a presença física, no toque, no prazer, não contido, de sensações e gostos, compartilhado, deliciosamente, numa cumplicidade que só os amantes [reais] desfrutam, em perfeição. Desprezando o que deve ser desprezado [ctrl + X], aprimorando o que precisa ser aprimorado [ctrl + Z], mas sempre valorizando o que cada um tem em si, 'de si para si', no dar e receber, na reciprocidade que só um 'mundo verdadeiramente real' favorece [ctrl + A]. Independente se representado por uma única letra, ou siglas ou se tenha em identidade, o ônus da virtualidade [virtual.], porque o que [a]flora é o que está dentro, não o inVerso, assim como o universo é diverso e não fosse, inventaríamos um, exatamente tal qual [ctrl + V].

















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1 - Fonte:
http://modos-de-olhar.blogspot.com/2010/04/internet.html
2 - Acordar: 'a+cor+dar = a cor dá'

¬Um [a]perto de mãos em agradecimento a tão belo poema. Ainda resisto ao beijo e na madrugada fria do Brasil, também ao abraço.

Epee disse...

Em 'Algures...' sexta em noite de frio, silêncio oportuno à solidão que satisfaz, DiVerso em face [a]dversa substitui o azul-celeste de Krystal pela placa de um computador.

¬'enter the oasis': um céu, uma ponte, dois mundos [real X virtual]. Talvez a opção, há de fazer de fazer a escolha e depois, que sejamos responsáveis por ela.
¬'chip': caminho de mão única. Imagens invertidas, nenhum sentimento, nenhum brilho, nenhuma emoção, não menos realistas ao mundo virtual, não como opção, mas sendo condição à virtualidade apresentada.

Com o novo 'wallpaper', o Poeta, despido de qualquer artifício que represente alguma fragilidade, mas revestido de toda a sua sensibilidade (daí Poeta e daí DiVersoKrystal), atinge mais uma vez o objetivo em unir 'letras com tela', adequando a ideia central do poema à imagem, em frieza absoluta, choque brutal em tão dura realidade, tal qual o mundo virtual que fizera de seus versos em "Algures... virtualmente!".














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Bom fim-de-semana de prim[a] que é vera em seu país.

Nilson Barcelli disse...

O mundo virtual não será muito diferente do real.
Mas no primeiro, há como que uma ampliação dos desvios que acontecem no segundo.

Caro amigo, a excelência do teu poema é uma constante em cada verso. Destaco, no entanto, umas partes que me impressionou pela qualidade:

"Sinal esse que na massa da vergonha é fermento,
Fodendo o pão seco de conquistados comensais,
Ávidos de violações sobre purgados corporais,
Porque o prazer é leite de cabra sem moral"-

Abraço.