quinta-feira, 1 de abril de 2010

Do Engano da Mentira à Última Ceia


Pobres coitados assassinam a fome,
Com caldinhos de letras que o livro não come,
Versos malucos de muletas são aperitivos de sal,
Insípida causa de sede sem chegar a menu principal,
Sabor estagnado no amparo de maluqueira insone,
Pena das papilas desgostadas, causa de pena igual!

Há ratos insanos violando ratas de biblioteca,
Escrevendo a mendicância dos fantasmas com sorriso,
Abandonados no purgatório do cinzento desprezo indeciso,
Etéreo alimento sofista do térmite que descaros defeca;
Surge, então, uma cupineira esvoaçante que pelo rato peca,
Denunciando o triste buraco do pobre térmite impreciso!

Imagina meu olhar de resplandecentes brilhos,
Em serpente hipnótica fitando teus adorados filhos,
E tu uma boa mãe prenhe de indefesa humildade,
Testemunhando nos filhos teus a orfandade!

Acudindo tuas preces de inocência infantil,
Teu cavaleiro de ouro recita meigas linhas de lira,
Desvanecendo-se nos céus do Primeiro de Abril,
Primeira verdade perdida num frio engano subtil,
Ilusão defendida na Alma do Livro que te inspira,
Escrevendo livros meus em livros de tua mentira,
Imprudente cultura da página à história servil!

Um tampo de mesa feito de fino pergaminho,
Sagrado campo de pão onde se serve derradeira Ceia,
Fome da Ciência dos homens que a falta de crença receia,
Hoje, transgénico da comunhão em alarve vício mesquinho,
Resiste o Cereal de sagrada Vida regado com sangue em vinho,
Trevas vencidas pela sabedoria iluminada de uma Sagrada candeia!

Imagina por momentos,
Que Jesus crucificado num dos teus livros exorcizados,
Se erguerá na Luz da terceira página dos livros assinalados,
Ressuscitando valores desprezados nos santos sacramentos,
De tua abençoada fé perdida na revolta de teus fingimentos,
Oferecendo a redenção para todos os teus pecados!...

Escreve em teu livro que na Vida se inspira,
Que a morte de Cristo neste engano de Abril,
É ressurreição da Vida que julgavas ser mentira!

2 comentários:

Vanda Firmino disse...

Obrigada pelas suas palavras simpáticas no meu blogue - Lugar de Partilha.
Mas, o seu é que é verdadeiramente interessante.
grande abraço, Boa Páscoa.

Epee disse...

1º de abril: Dia dos Enganos!

E assim DiVerso em mais uma de suas [a]dVersidades nos apresenta um poema cuja história, além de ser sempre adequada à realidade que nos cerca, por datas especiais ou por vidas que aqui chegamos e lemos, ainda a a[d]sorvemos e de um jeito qualquer nos identificamos.

Mas ainda é 1º de abril e não é engano.

Poeta que é, tem nas mãos a imagem de Jesus. Só DiVerso! Tal imagem, em véspera da Sexta-Santa, poderia ser representada pelo livro sagrado. Na soma de letras com letras, que juntas formam palavras, versículos e capítulos, onde encontramos o Velho e o Novo Testamento, que chamamos de Bíblia e que essas são as 'palavras de Deus falando ao homem, através do homem, com o homem, é Deus falando a favor do homem, mas é sempre Deus falando' e é aqui que a paz e toda harmonia se encontram. Porque o universo é [cris]krystal e 'Do Engano da Mentira' sendo verdade 'à Última Ceia' é a primeira em comunhão com Cristo e com o amor que Ele em morte, se entregou, na intenção da salvação e não própria, de todos nós.
E DiVerso, Poeta que é, artista que é, pinta em tinta cor de ouro sua tela, como se quisesse nos lembrar de que só o amor, só 'e'le, nos salva. Não qualquer 'amor', mas o amor fraterno, o mais fundamental de todas as espécies de amor, cujo sentimento é o de responsabilidade, cuidado e respeito, da solidariedade humana, do sincronismo humano e caracterizado principalmente pela ausência de exclusividade. No respeito ao ser humano enquanto humano de si e de nós, no seu conhecimento e no seu desejo de tornar-se melhor em aprimorar-SE.

Nessas horas, que o dia já o segundo de abril e que a sexta é Santa, queria o discurso fidedigno ao sentimento que transborda. Queria a transparência de sentimentos que a incursão poética me permitiu e que por qualquer impossibilidade não me é possível exprimi-la. Em silêncio, troco pontos parágrafos por ponto final. Peço perdão e agradeço a oportuna reflexão que mais uma vez encontrei em seus versos.










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À família DiVersoKrystal, Paz de Cristo.