sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Heteronomia Administrada (parte II)




Porque são dias que estreitam o Agosto sufocante,
Quero administrar uma fresca heteronomia sibilante,
Na mioleira envelhecida de alguns pobres coitados,
Que pelo Sol abrasador de sua juventude são afectados,
Queimando as unhas que se desunham em tentativas constantes,
De salvar-se no desespero delirante de sobejos memorandos versados,
Com desordenados versos pobres que por palhaços foram saqueados,
Erguendo um circo triste com palavras de palhaçadas flagrantes,
Dignas de toda a comiseração dos alter-egos sulcados,
Na solidão que a pena tem dos indefectíveis farsantes,
Gastos pelo tempo das vogais sem consoantes,
Desenterrando incisivos risos fechados,
Com lágrimas de homenzinhos tombados,
Entre caixões dos poemas restantes!

É vê-los por aí contaminando a poesia,
Com lastimosos poemas meio certos,
Baralhados em versos descobertos,
Na demência da pobre fantasia,
Que constrói a falsa harmonia,
Dos áridos temas desertos!

Há um canastrão aplaudido por canastrões,
Ouvem-se “bravos”, “bis” e outros masoquismos exultantes,
Que saem como palavras apressadas da hipocrisia dos aldrabões,
Já habituados a engolir tão iguais hipócritas expressões,
Do vómito engolido por distorções pedantes,
Passivas em seus prestados serviços arrogantes,
Pelos préstimos recebidos sem discussões,
Na irmandade dos habilidosos diletantes,
Que protegem profissionalismos vacilantes,
Da verdade krystalina preechida de lúcidas razões,
Tão perto dos palcos de ingénuas exibições distantes,
Onde os mariolas gentis escolhem o público de suas ilusões,
Ignorando que nem os parvos nascem com iguais aptidões!

Dêem uma esmola,
Para esses pobres coitados,
Que pela hipocrisia foram apanhados,
E ajudem a libertá-los da gaiola,
Onde está preso um farsola,
Com outros iguais e seus derivados!

***

Pois é…
Publicado por um heterónimo de Krystal,
Um coração puro de heteronomia celestial,
…hehehehehehe…
Não me perguntem se é um amigo meu,
Pois só sei que não sei qual deles sou eu!


***

Manda Deus que o Destino assim seja,
Daqueles que até do seu umbigo têm inveja!




5 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

KrystalDiVerso


António Pina


Qual dos dois és tu
naquilo que aqui se encima
pois se não sei se és um ou outro nu
nesta minha pobre rima


Abraço


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Agosto de 2010

epee disse...

E porque é agosto e é a ‘parte II” no palco de DiVerso, “Heteronomia’ encena a trajetória de uma sociedade composta por seus costumes e tradições, interiorizando suas normas por medo da punição. No acender de ‘luces del teatro’, a ‘autonomia’ representada por ‘Administrada’, lembra-nos da consciência moral em função dos princípios e valores morais, onde autonomia e heteronomia contrapõem-se em poemas de poetas de versos compostos por métricas incoerentes e poesias de origem narcisistas à espera de reverência. Na soberania abstrata dos círculos fechados entre em si, troca-se o diálogo por decisões individuais e em sua maioria, egoístas, fundamentadas nas semelhanças que proíbem o diferencial, pelo que julgam em seus espaços “aristocratas”.

Na razão, via lucidez ‘Krystalina’, uma realidade que nos leva à heteronomia, mas que também nos auxilia à busca da autonomia numa realidade social menos hipócrita: a ironia que liberta, num poema que salva a palavra e conjuga versos contra qualquer tipo de hipocrisia.




!!@
E que venham mais heterônimos... ainda estamos a 11 [talvez 10] dias do fim de agosto.

epee disse...

!@
Seus melhores poemas continuam sendo aqueles que no palco, quem os representa, é o Homem-Poeta, em experiência de vida, contada ou vivida e não por ser agosto, mas por ser DiVerso e ser Krystal.

poetaeusou . . . disse...

*
gramei, amigo,
bués de nices !
,
O Pessoa deixou sementes,
com ou sem copofonia, mainada!
,
saudações, desassossegadas !
,
*

epee disse...

Pela edição do wallpaper:

A cortina sobe.

Palco de poema real-ficcional, ‘luces del teatro’ ganha personagens. Antagonistas, figurantes e coadjuvantes fazem parte do espetáculo, alguns em dose dupla.

Na linguagem construída pela imagem, a metáfora é quem adquire o protagonismo da cena, porque reforça a função simbólica e expressiva do poema, levando-nos à atribuição além de seu significado: sentimos.

A plateia agradece. Talvez não em aplausos, dessa vez. Talvez em gestos, quem sabe, ricos em potássio. Em coro. Porque ainda há quem confunda mineral com vidro.




|@
Os pincéis também são suas melhores letras, DiVerso.