terça-feira, 24 de agosto de 2010

Meus Crocodilos de Vossas Lágrimas










E no fim vieram egos de si inchados,
Sobre os ombros descaídos de vaidade carregados,
Descobrindo o raso relevo que em suas vidas fizeram,
Silêncios nas repisadas palavras de monstros sagrados,
Escondendo, atrás das palavras que delas nada souberam,
O roubo dos significados que novos sentidos eles lhes deram,
Cobrindo asinhas glórias com penas de pavões envergonhados!

E no fim vieram os cagões inchados de glória,
Carregando brilhantes atavios fétidos das vulvárias,
Que combinavam o cheiro fresco de diarreias literárias,
Com a putrefacção entulhada na lucidez sem memória,
 Comungada na prostituição adulterada da história,
Dada à estampa em solenes teosofias sectárias!

Soltam-se-me os crocodilos que me acolhem,
Ao chorar as lágrimas de vossas mentes tolhidas,
Precipitam-se, falsas, em quedas de verdades colhidas,
Comovendo vossas mentiras que vossas verdades tolhem!

E no fim vieram fundamentalistas,
Cheios de hipocrisia em seu umbigo,
Bálsamo cicatrizante de retóricas sofistas,
Que mantêm umbilicais ligações antagonistas,
Com complexos de inferioridade que trazem consigo,
Elegendo a lucidez dos justos como seu ideal inimigo,
Por sôfregas razões cegas guiadas por cegos idealistas
Apoiados pela tão igual cegueira de multíplices egoístas,
Os mesmos que só nos outros seus defeitos são o perigo,
Não vendo em sua pobre estupidez influências ilusionistas,
Dos que berços destroem para garantir imperiais abrigos!

E no fim vieram milagres por concretizar,
Cheios de vazia esperança para os que nada hão-de ter,
Sendo sexo exposto para aqueles que sempre os hão-de foder,
E se algum dia procurarem alguém para o crime testemunhar,
Volta o sangue azul real dessa gentinha que vai identificar,
As vítimas do abuso por culpados de uma condição a temer,
Ferindo os olhos da nobreza que a hipocrisia sabe interpretar,
Nesse palco onde a alta sociedade põe a pobreza de um País a arder,
Para assar em lume brando a carne dos pobres que sempre irão comer!

Soltam-se-me os crocodilos que me acolhem,
Ao chorar as lágrimas de vossas mentes tolhidas,
Precipitam-se, falsas, em quedas de verdades colhidas,

Comovendo vossas mentiras que vossas verdades tolhem!



4 comentários:

Graça Pires disse...

Gostei da ironia e da lucidez deste poema.
Um beijo.

poetaeusou . . . disse...

*
já fui crocodilo,
e lágrimas do dito,
tempos que passaram,
e que a mim me enganei,
feridas sentidas,
concertando quimeras,
e os resultados,
é não saber quem sou !
,
saudações, ficam,
,
*

epee disse...

Porque é agosto, à gosto de DiVerso, “E no fim...” cumpre-se o prognóstico.

Um poema cantado em versos de “Meus Crocodilos’, onde 'Krystal', entre a participação social e o compromisso com a linguagem, confere autonomia à poesia sem perder a legitimidade de sua personalidade artística.

Funcionando como instrumento de correção, na voz que nem se cala, nem se omite e na denúncia permanente de uma sociedade cada vez mais mercantilizada, cuja inversão de valores predomina sobre um meio marcado pela disputa de prestígio, oportunismo, arrivismo e inescrupulosidade, 'DiVerso' sentencia ‘Vossas Lágrimas” ao deságue de um lago chamado ‘KrystalDiVerso’.

D“os crocodilos que me acolhem”, a vaidade. O orgulho. Egoísmo e vergonha, ou falta dela. A arbitrariedade no uso indiscriminado das palavras pela má interpretação é um ‘crime a testemunhar’.

O uniVerso, apesar de toda diVersidade e alguma adVersidade, é coberto de razão no peso equilibrado de duas mãos que sustentam justiça e ética, e que pela sabedoria e experiência de vida compreende que a mesma razão não pesa na consciência de predadores. De nenhum deles.




!!!!@

Multiolhares disse...

Lágrimas de crocodilo que alguns deitam, mas verdadeiras que alguns choram espezinhados por meia duzia de "animais"
Bj