terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vida, Essa Puta



Era uma farsa coberta de adágios,
Vestindo uma sedutora nudez descarada,
Disfarçada no limite persuadido dos contágios,
 Que salgava a carne na cruz de pervertidos sufrágios,
Legitimando a sede aos utentes de putas sufragadas,
Em votos possuídos de cúmplices traições aprovadas,
Nos rumores impotentes de encornados plágios!

As cabras pastavam na psicologia dos presságios,
E moldavam as tetas com o cio social de falso putedo,
Ensinado pela puta da necessidade em gratuitos estágios,
A seduzir alienados bodes envelhecidos em lautos naufrágios,
Outrora nautas reais que navegavam na juventude do folguedo,
Em águas azuis do deus-dará que as putas guardavam em segredo,
Escondendo filhos sem pai, afogados em deserdados apanágios!

Oferecia-se vestida de fascínio a todos quantos a queriam,
Abria seu peito nu aos beijos em suas mamas fartas, a astuta,
Propunha fazer valer cada momento aos que não lhe resistiam,
Induzindo-lhes vestes nuas aos seus ávidos olhos que a despiam,
Enquanto vestia os olhos dela com a periferia da certeza absoluta,
Daqueles olhos vivos dedicados ao cuidado de uma vida arguta,
Vivaços olhares que aquela vida amava nos vivos que a fodiam,
Os mesmos que davam sua vida pelo Amor à Vida, essa puta!

Os oceanos são agora parte de um desespero mais extenso,
Há necessidades obrigatórias que se escondem no rosto,
De uma vergonha descarada que navega no desgosto,
De ser obrigada a afogar seu orgulho imenso,
Pela necessidade de salvar um futuro suspenso,
Ao qual foi o perdido bom senso da vida imposto!


2 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

KrystalDiVerso


António Pina

Meu Caro,


Há necessidades obrigatórias que se escondem no rosto
ávidas em beber
do simples mosto


Abraço meu


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Agosto de 2010

epee disse...

'Essa Puta" que provoca a sede e rasga a seda, amarga a "Vida' em poema DiVerso, nos versos de amor que não se lê, mas na poesia que se faz pela complexidade do tema [delicado e polêmico].

Poema e Poesia são protagonistas de um cenário cuja sobrevivência satisfaz fantasias [jogo erótico], mas não define os ‘fantasiados’ [quem fantasia quem]. Uma vida prostituída, inserida no contexto de uma sociedade estigmatizada pelo comportamento de práticas sexuais marginais. No contra-senso de necessidades [entre aspas] que se apresentam sob diferentes formas: pobreza, violência e falta de oportunidades. Ou na "vergonha descarada que navega no desgosto", em oceanos que sustentam, senão sonhos naufragados, sonhos que não puderam ser sonhados.




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